quarta-feira, 6 de abril de 2011

Paixão como Justificativa

*
Paixão
Arrebatamento
Que justifica a ação
Justifica bobagens
Justifica casamento
Justifica gastos
Antigamente
Os casamentos eram arranjados
E as pessoas descobriam-se
Hoje
As pessoas descobrem-se
E se casam
Por incrível que pareça
Os casamentos arranjados
Duravam mais que os descobertos
Tudo pelo desejo veemente
De fazer a coisa dar certo
Acreditar na coisa é fé salvadora
Havia as paixões impossíveis
Que transformavam-se em amores em luta
Paixões são justificativas
Para fazermos o que gostamos
Qualquer que seja a coisa
Uma compra
Um restaurante
Um chocolate
Paixão justifica-se
Pela satisfação
Paixão
Justificativa não calculada
Não estudada
Não programada
Paixão
Coisa que a gente acha que precisa muito
Paixão
Justificativa pra fazer o que lhe permite sentir-se bem
A paixão dura certo tempo
E se ela for se justificando ao longo do tempo
Transforma-se em amor ou em birra
Paixão transformada em amor
Justifica-se por si só
Paixão transformada em birra
Prejudica o próprio ser
Paixão
Só é boa justificativa quando soma
Quando te subtrai
Quando te faz gastar demais
Desgasta-te demais
Em dinheiro
Em neurônio
E não se justifica mais
Paixão é coisa perigosa
Que se justifica no escondido
Nos segredos
Nas sacolas
Nos amores
Paixão
Magia que se justifica boa
Paixão
Sempre arrebatadora
Vem como ventania
Abastece a vida
Mas que se dose sempre
Pois a ventania
Pode levar poeira aos olhos
E fazer cegar
Pode auxiliar a tocar o barco
Pode arrebatar
E também fazer afundar
Mas sem ela não se pode caminhar
Então
Haverá de se dosar
E permitir-se apaixonar
Paixão pela vida
Uma justificativa
(Eneida Freire)
*
24/05/2010

5 comentários:

Amapola disse...

Boa noite, Eneida.

Belo texto.
Talvez os casamentos durassem mais no passado, porque sexo fora do casamento era só com prostituta.

Depois da liberação da mulher, os casais sentem-se livres para novas tentativas, quando a união não vai bem.

Em muitos dos casamentos do passado, a esposa era um verdadeiro objeto sexual, além de toda a submissão.

É difícil saber quem perdeu o quê.

Um grande abraço.
Maria Auxiliadora (Amapola)

Estou lhe seguindo.

Rui Pires disse...

Em Portugal, é costume dizer que quem escreve assim tão bem... não é gago! Não sei se o termo é usado no Brasil!

Gostei

Bj

Rui

Haylla disse...

- Cheirinho bem grande!
;*

Eneida disse...

A gente vai divagando, concluindo, e outras vezes indagando da vida ainda mais um pouco!
É assim!
Obrigada, queridos!
Beijos!!!

Tiago Braga disse...

<3 ***